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10 agosto, 2012

Descobrir-se

Hoje estava a rever uns textos que escrevi já há tempos e dei com um de quando estava confusa com a minha sexualidade.

De certo muitos homossexuais tiveram pensamentos como, "Não posso ser, eu não posso ser homossexual/bissexual!"


"É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão."
Clarice Lispector

Muitos hoje homossexuais assumidos passaram pela fase da negação, eu sei que passei. Aquela fase de, "Não pode ser.". Muita desta negação deve-se também ao facto de termos de nos assumir à família, e isso é terrível, vão aceitar, não vão aceitar...
Antes de tudo temos de nos aceitar a nós próprios, ficar bem com a nossa sexualidade, descobri-la, pode apenas demorar dias, meses ou anos, até nos conseguirmos aceitar a nós próprios, a sermos felizes sabendo que gostamos de pessoas do mesmo sexo e não do sexo oposto como a sociedade nos impõe. Quantas pessoas podem estar agora a passar por isso? Negação e sofrimento porque não conseguem descobrir-se, não conseguem por fim colocar um ponto final e organizar a sua cabeça e o seu coração.
Em primeiro essas pessoas têm de saber que podem falar, que podem e devem tirar as suas dúvidas, falar dos seus receios e esclarecer tudo o que poderem, porque existem neste mundo pessoas que podem ajudar, ou pelo menos esclarecer algumas dúvidas sobre este ponto.

Não temos de ter medo de sermos quem somos, de nos entendermos, de nos assumirmos e aceitarmos, porque temos de estar bem connosco para conseguir enfrentar e dizer ao mundo quem somos, de nos afirmar-mos.


Até já.
SílviaG.










15 julho, 2012

Como abordar a família?

Mãe eu gosto de raparigas!


"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela."
Charles Chaplin




Custa estar ao lado da nosso mãe, de quem me trouxe a este mundo e me criou e não lhe conseguir dizer: "Mãe, gosto de raparigas."
É complicado, mas como as coisas aqui estão não sinto que é o momento certo para contar. Quero poder gritar ao mundo quem sou na realidade. 


"Um dos meus grandes problemas neste momento, já com os meus 22 anos (como passa tudo rápido) é assumir-me perante a minha mãe.
Namorei com alguns rapazes, mas nunca me pareceu certo, correcto até, então notei a minha afinidade por raparigas, sinto-me melhor, mais feliz e completa. E há dois anos atrás conheci a minha namorada, no inicio não sabíamos que iria dar em namoro, o que poderia levar a pensar isso? Eu gostava de outra pessoa e ela também, mas ela lutou, e muito para me conquistar e conseguiu. Estamos a caminho dos dois anos de namoro e felizes, temos o nosso cantinho, sofremos várias peripécias, mas estamos juntas e isso que importa.
Mas com a vida encaminhada, a viver já com ela há 1ano, tenho de contar à minha mãe, mas não é fácil. A minha mãe foi criada de uma certa maneira, numa pequena aldeia, onde tudo que é fora do normal é errado. O meu maior medo é perder a minha mãe. Todas as pessoas me dizem, mãe é mãe, não deixa de te amar, mas mesmo assim, e quando eu não puder ir visitá-la nas minhas folgas? Nas minhas férias?
Tenho um grande medo de a perder e isso afecta-me mesmo muito. E quem vai estar lá para ela? Eu sei que enquanto os meus irmãos vão tendo os seus devaneios estou lá, apoio-a, estou com ela cada vez que o trabalho me permite, mas e se eu lhe falhar? Eles vão lá estar?


SílviaG."


Esta é a minha pequena e resumida história... o que faço? A dor de não lhe conseguir contar consome-me.




Até já.
Sílvia