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22 agosto, 2012

Uma nova forma de comunicar


Por um lado tenho este blog para falar de "problemas" e situações comuns a muitos homossexuais que por aí andam e visitam este blog, por outro lado quero torná-lo mais meu, mais a minha cara, desabafar um pouco, contar a minha história de vida, um lugar onde posso falar de temas mais gerais e também de temas mais privados. Uma pequena frase pode até dizer muito e quem sabe se aquilo que sinto e penso não poderá ser o que alguém aí desse lado também sente e pensa.



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
Oscar Wilde

Como folhear um livro, em todas as páginas e capítulos da minha vida encontro um novo tema, uma nova forma de comunicar algo que se passou e marcou a minha alma. E quero que assim seja uma forma de o fazer, partilhar, afinal esse é o objectivo principal aqui do meu pequeno canto.

Um texto.
Uma frase.
Um poema.
Uma imagem.
Uma só palavra.

Todas elas formas de comunicar aquilo que o ser humano sente e pensa. Porque não fazê-lo aqui? Porque não com uma pequena frase dizer que amo mais que tudo a minha namorada? Que é com ela que quero passar o resto da minha vida? Que ela me irrita, mas que a amo tanto que nem sei como o expressar?

Hoje estou assim...apaixonada :)


Até já.
SílviaG.


16 agosto, 2012

Ignorância

" Eu respeito, mas não compreendo. Duas raparigas ainda vai, agora dois rapazes? Isso é que não me entra na cabeça."

"A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito."
Denis Diderot


Estão a ver estas frases? Estou cansada de as ouvir vezes e vezes sem conta. Ok, respeitar é muito bonito, mas porque é tão dificil de compreender que gosto de pessoas do mesmo sexo? E depois ainda diz que duas raparigas ainda vai, mas dois rapazes já lhe é demasiado complicado?
Eu pergunto sempre, então tu gostas de mulheres certo? Gostas de apreciar rabos femininos, seios e tudo numa mulher. Pronto eu também, simples assim. Quanto aos rapazes a coisa é a mesma, nós gostamos de pessoas, calha serem do mesmo sexo que nós, nada de confuso ou complicado.
Depois vem sempre a mesma resposta, "Isso é porque nunca estiveste com um rapaz a sério.". O caldo entorna nesse momento, mas como sempre mantenho a postura e só lhe digo, "Namorei três anos com um rapaz, com o qual fui muito feliz. Tive outros namorados, mas acontece que me apaixonei perdidamente por uma rapariga, a qual é a minha alma gémea e com a qual não sei viver. E gostei muito de estar com rapazes, mas com raparigas sinto-me completa, e com a G. sinto-me feliz!"
E a conversa pára. Mas como estas existem algumas outras respostas que eu fico como que paralisada com tamanha parvoíce.

E a vocês? Alguma assim mais comum?

Até já.
SílviaG.

10 agosto, 2012

Descobrir-se

Hoje estava a rever uns textos que escrevi já há tempos e dei com um de quando estava confusa com a minha sexualidade.

De certo muitos homossexuais tiveram pensamentos como, "Não posso ser, eu não posso ser homossexual/bissexual!"


"É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão."
Clarice Lispector

Muitos hoje homossexuais assumidos passaram pela fase da negação, eu sei que passei. Aquela fase de, "Não pode ser.". Muita desta negação deve-se também ao facto de termos de nos assumir à família, e isso é terrível, vão aceitar, não vão aceitar...
Antes de tudo temos de nos aceitar a nós próprios, ficar bem com a nossa sexualidade, descobri-la, pode apenas demorar dias, meses ou anos, até nos conseguirmos aceitar a nós próprios, a sermos felizes sabendo que gostamos de pessoas do mesmo sexo e não do sexo oposto como a sociedade nos impõe. Quantas pessoas podem estar agora a passar por isso? Negação e sofrimento porque não conseguem descobrir-se, não conseguem por fim colocar um ponto final e organizar a sua cabeça e o seu coração.
Em primeiro essas pessoas têm de saber que podem falar, que podem e devem tirar as suas dúvidas, falar dos seus receios e esclarecer tudo o que poderem, porque existem neste mundo pessoas que podem ajudar, ou pelo menos esclarecer algumas dúvidas sobre este ponto.

Não temos de ter medo de sermos quem somos, de nos entendermos, de nos assumirmos e aceitarmos, porque temos de estar bem connosco para conseguir enfrentar e dizer ao mundo quem somos, de nos afirmar-mos.


Até já.
SílviaG.










25 julho, 2012

Sensação de desconforto

Hoje trago aqui uma pequena e curta pergunta que me assustou hoje. 

Nunca se sentiram desconfortaveis com os olhares na rua?

"Sou vulnerável às menores bobagens, às mínimas palavras ditas, a olhares até, e sobretudo, a imaginações"
Clarice Lispector

Esta pergunta foi-me colocada e nem soube como responder. Alguém me quer ajudar? 
Eu e a minha namorada estamos mesmo à vontade quer no trabalho quer com os amigos e familiares (dela), mas e nas ruas? Nos passeios que damos? Nos locais que frequentamos? 
Até agora a minha posição tem sido sempre a mesma, não quero saber se olham, se os casais heteros podem andar de mãos dadas e dar beijos em público porque não podemos nós? Eu pelo menos faço-o, mas sim já senti aqueles olhares das pessoas que estão à nossa volta, olhares de espanto, curiosidade, e também de desconforto e nojo até. 

Mas pergunto eu também, qual a diferença entre estar um casal hetero na rua aos beijos e a passear e um casal homossexual? Para mim a resposta é rápida, nenhuma! Porque todos temos o direito de estar a vontade onde quer que vamos, desde que não faltemos ao respeito a ninguém. 

Esta é a minha opinião. E a vossa?

Até já,
SílviaG.

15 julho, 2012

Como abordar a família?

Mãe eu gosto de raparigas!


"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela."
Charles Chaplin




Custa estar ao lado da nosso mãe, de quem me trouxe a este mundo e me criou e não lhe conseguir dizer: "Mãe, gosto de raparigas."
É complicado, mas como as coisas aqui estão não sinto que é o momento certo para contar. Quero poder gritar ao mundo quem sou na realidade. 


"Um dos meus grandes problemas neste momento, já com os meus 22 anos (como passa tudo rápido) é assumir-me perante a minha mãe.
Namorei com alguns rapazes, mas nunca me pareceu certo, correcto até, então notei a minha afinidade por raparigas, sinto-me melhor, mais feliz e completa. E há dois anos atrás conheci a minha namorada, no inicio não sabíamos que iria dar em namoro, o que poderia levar a pensar isso? Eu gostava de outra pessoa e ela também, mas ela lutou, e muito para me conquistar e conseguiu. Estamos a caminho dos dois anos de namoro e felizes, temos o nosso cantinho, sofremos várias peripécias, mas estamos juntas e isso que importa.
Mas com a vida encaminhada, a viver já com ela há 1ano, tenho de contar à minha mãe, mas não é fácil. A minha mãe foi criada de uma certa maneira, numa pequena aldeia, onde tudo que é fora do normal é errado. O meu maior medo é perder a minha mãe. Todas as pessoas me dizem, mãe é mãe, não deixa de te amar, mas mesmo assim, e quando eu não puder ir visitá-la nas minhas folgas? Nas minhas férias?
Tenho um grande medo de a perder e isso afecta-me mesmo muito. E quem vai estar lá para ela? Eu sei que enquanto os meus irmãos vão tendo os seus devaneios estou lá, apoio-a, estou com ela cada vez que o trabalho me permite, mas e se eu lhe falhar? Eles vão lá estar?


SílviaG."


Esta é a minha pequena e resumida história... o que faço? A dor de não lhe conseguir contar consome-me.




Até já.
Sílvia

14 julho, 2012

A História da Mariana

Vou agora apresentar a história da Mariana, a confusão porque ela passou e talvez passe. Afinal todo este mundo é uma descoberta constante. 
Com este testemunho espero que se atrevam a dar o seu, pode ser anónimo se quiserem, basta enviar um email para mim. Qualquer dúvida que tenham também podem contatar-me, quem sabe não sou capaz de ajudar ou até confundir mais :) Tal como os comentários aqui, podem ser confidenciais, não há qualquer problema nisso.


Até já.


"Meus sentimentos são tão confusos que nem ouso mais dizer o que sinto,com medo de errar,novamente!"
Beatriz Shibuya


Testemunho da Mariana;


Ola....sou a Mariana, tenho 23 anos, de Lx.
Vim contar'te a minha historia. 
Era muito pequenina e prematura. Muito protegida pelos meus pais. quando comecei a andar na pre-primaria eu dizia que tinha um namorado que tinha olhos vermelhos e louro. Era o Antonio. LOL....sabia la eu...era criança....
Depois a medida que fui crescendo fui gozada por toda a gente pq eu n fazia o que outros faziam. ate cheguei a humilhar'me a mostrando as partes baixas e eles a porem' me areia...quando cheguei a casa queria contar o sucedido mas morria de vergonha....uma palmada da minha mae...

Mais tarde, aos 13 anos vi duas gajas aos beijos. e achei aquilo estranho pq n foi o que me ensinaram. aquilo incomodou'me e fui embora...mais tarde conheço uma moça que atualmente somos amigas ha 11 anos. cheguei a ter uma mini paixoneta por um rapaz da minha turma mas ele disse que nao gostava de mim naquela altura. Fiquei triste e contei aos meus pais. LOL...eles consolaram'me..e ficou tudo bem

Aos 14 anos a minha miga e eu estavamos a ouvir musica e ela estava a escutar um cantor com o qual ela ficou obcecada durante anos e ainda hoje. LOL....por mim foi por uma cantora que eu ate fantasiava a toda a hora e ficava completamente obcecada....ate a minha amiga ja me chamou LESBICA e eu fula quase que lhe bati. (1a vez que ouvi a palavra) ...depois meti'me sem querer com uma prof, estalando'lhe os dedos. mas eu n tinha apercebido que era ma educacao e ralhou comigo. 

Aos 15/16 anos, eu vou p outra escola e vejo outra cena de miudas....depois eu conheci uma rapariga que me disse que n era tao certinha assim...uma vez n sei que me aconteceu....ia beijando outra rapariga no metro. 

Aos 18 anos, uma mini atracao por rapaz, mas que n quis nada...aos 19 anos fantasias com gajas e cenas parvas que me suscitaram duvidas. pensei que fosse fase de curiosidade. Com 20 anos, vou a um cafe e começo a sentir cenas por uma mulher....calor, labios a tremer, olhos fixos e vidrados nela, arrepios, vontade de lhe sorrir.
Depois destas cenas....eu fiquei maravilhada e um sorriso enorme nasceu em mim. Então aos 21 tive uma experiencia e logo como se n bastasse tive uma paixao platonica que foi uma coisa maluca......eu fikei ano e meio completamente doidinha mas depois foi so sofrimento. 
Por vezes acho que isto tudo e uma fantasia e quando menos esperar....n e nada....sabes o que e essa sensaçao?



Como saber de quem gosto

O título não é propriamente chamativo, mas pronto a imaginação hoje está em baixo.

Imagem retirada da internet
"Beijos não são contratos e presentes não são promessas."
William Shakespeare

Como saber quem és...se gostas de raparigas, rapazes, ou os dois. Por quem te sentes atraído. Nesta postagem vou falar de como soube que gosto de raparigas, como foi para mim descobrir a minha orientação sexual por assim dizer.

Quando tinha uns 7anos talvez, não sei precisar, porque nesse tempo a memória não é a mesma, lembro-me de brincar com uma prima afastada e de dormir a sesta com ela e sempre ficavamos nuas nestas ocasiões. Até aqui nada estranho, afinal eramos apenas crianças, mas desde esses momentos que a minha pequena e aguçada curiosidade de criança se debatia pelo corpo feminino, as suas formas tão pouco pronunciadas naquela idade. O tempo foi passando e vivendo numa pequena aldeia é complicado não seguir o resto das pessoas, por isso essa minha curiosidade foi abafada, reprimida por assim dizer.

Mais tarde, já com os meus 10 anos chegou a altura de ir para a cidade estudar e aí as coisas desenvolveram um pouco, estava num ambiente diferente, mais aberto, com pessoas com uma mentalidade mais aberta e até me lembro de um beijo dado de fugida, num daqueles "verdade ou consequência" jogados nas tardes passadas com os colegas, dado a uma amiga e colega de turma. Mas como talvez muitas pessoas sabem a sociedade não é muito aberta e a minha vontade de falar daquele determinado assunto crescia, mas ficava para mim. Aos 15 anos até cheguei a estar com uma menina especial, mas durou pouco, medo estava presente entre nós, medo do desconhecido principalmente.

O tempo passou e dos 15 anos chegaram os 20, e nessa altura a 200km de distância de casa e com uma mentalidade mais aberta conheci várias pessoas que me fizeram ter a certeza que rapazes não são para mim. Rapazes comigo é uma história passada, admito que ainda estive com alguns mas isso é outro assunto.

Então pronto, é esta a minha pequena e resumida história na descoberta de quem realmente sou. Conta-me a tua. Basta enviar um email a contar a tua história.


Até já.
Sílvia Graça

O projeto

Imagem da minha autoria
"Ser feliz é vocação natural do ser humano." (Paulo Leminski) 

Depois de muito pensar decidi avançar com este projeto.
Um blog para partilhar as minhas experiências de vida, apesar de como dizem ainda ser mais curta que comprida.


Durante estes meus 22 anos de vida já passei por várias experiências, a todos os níveis e é com elas que aprendi a ser como sou hoje a encarar a vida.

Este blog destina-se a todas as pessoas que por aqui passarem, mas sem dúvida para ajudar jovens e não jovens que tal como eu se encontrem numa situação que não é anormal, mas apenas difícil. Ser "diferente" num mundo que ainda nos olha de lado.
Como passar esta fase de nos assumir-mos homossexuais perante todo o mundo. Aqui irei contar como soube, como me assumi, os meus medos, as minhas certezas, as minhas esperanças. Conto também poder utilizar testemunhos de pessoas que queiram contar as suas experiências e aceito todas as opiniões, desde que não ofendam ninguém.


Um até já.
Sílvia