25 setembro, 2012

Update....


E acabaram-se as férias...voltou a altura de começar a trabalhar novamente. Com horários muito estranhos por vezes. Voltou a corrida para não chegar tarde ao trabalho, e a só conseguir estar contigo quando chegamos a casa já noite tarde.

Mas actualização das minhas férias... Estive em Lisboa (Sintra), em Aveiro e na minha pequena terra. As férias começaram no dia 11, e logo nesse dia eu e a G. rumamos para Sintra para ir levar a tia dela, pois estava tudo previsto para nesse mesmo dia voltarmos para a minha terra e passar lá até dia 13...os planos saíram furados e acabamos por ficar em Lisboa até ao dia 13 de manhã, afinal a G. também pode passar férias com a família dela, e assim foi.
Divertimo-nos com a priminha de 2 anos dela e descansamos alguma coisa pouca, também para que servem as férias? No dia 13 fomos até à minha terra para pelo menos estarmos lá 1 dia, mas porque as coisas aqui não estão fáceis viemos cedo para Aveiro

Enquanto as férias da G. apenas duraram uns dias, passamos esses finais das férias dela em Aveiro, e tentamos descansar, o que não foi fácil, pois a vida prega algumas rasteiras.

Voltando às minhas férias, no dia 17 voltei para a minha terra para ficar lá uma semana, aproveitar a minha família e matar saudades, porque nunca estou muito tempo por lá. Foram boas férias, dormi bem, mas pouco, tinha sempre alguma coisa para fazer. No domingo passado, visitei a minha irmã que está internada, e adorei vê-la, já não falava nem estava com ela há dois meses, então foi muito bom mesmo.

Voltei ontem para Aveiro, e amanhã já volto à rotina de sempre, trabalho e casa...espero que namorar muito também, porque fiquei cheia de saudades da minha pipoca...uma semana longe quando estou tão habituada a estar com ela é um pouco complicado.

Bem...espero ter tempo para vir atualizando aqui este canto .

Até já,
SílviaG.


03 setembro, 2012

A nossa história III


Podem ver as outras partes aqui: Parte I e Parte II.

"Voltaste-me para ti e continuamos a beijar-nos, mas com a música, e com a chamada do nosso amigo J. paramos, ele queria ir embora.  "




O caminho para casa nessa noite foi realmente demorado, muitas paragens fizemos nós, com o J. a reclamar que queria ir para casa e nós estávamos sempre a parar e a atrasar. Fomos com o J. até casa e depois fomos para a tua, sim para a tua casa, como foi possível, eu "culpo" as minis que nos alteraram o juízo naquela noite sem dúvida. 
Bem, até um pequeno acordo tivemos de fazer nessa noite, mas acho que isso não é importante contar, nem o que se passou quando entramos em tua casa. 
No outro dia, quando acordamos além do pensamento que tinha sido apenas uma noite, vi o teu (meu) pequeno Baileys, o gatinho mais fofo do planeta e conheci a tua irmã também, só de rir. Separamo-nos nessa manhã e cada uma seguiu o seu caminho, talvez pensando que foi uma boa noite, mas pronto passou e está passado. 
O que estávamos enganadas, e o pretexto de pedires o meu número ao J. foi o que nos fez continuar a falar, sempre sem falar muito naquela noite. 
Entre aquela noite e começar o namoro passaram alguns meses, meses esses confusos para mim e terríveis para ti. Sei que te fiz sofrer, correr atrás, viajar 200km para estares 1hora ou menos comigo e tanta coisa que te disse, que estava indecisa, que gostava de ti, mas não tanto assim.
A tua persistência, a tua dedicação, o teu amor fez com que me apaixona-se terrivelmente por ti, e por ti continuo apaixonada.

Amo-te com tudo o que tenho, com toda a minha vida. Sei que muitas vezes não compreendes porque nunca me assumi aos meus familiares, mas é complicado e sei que por muito que tentes perceber te custa esconder isto da minha mãe. Mas tens de perceber, tem de ser na altura certa, se era à dois anos atrás? Sim. Se é agora? Não sei. Por mais que me digam, a tua mãe será sempre a tua mãe, não me custa pensar que ela fique magoada e me deixe de parte, custa-me saber que ninguém estará lá para ela como eu estou quando alguém a desilude. Isso custa, porque a minha mãe será sempre uma das mulheres mais importantes da minha vida e custa-me vê-la sofrer por tudo o que se passa e sei que eu estou aqui, mas se eu falhar?

Só sei que quero passar o resto da minha vida contigo e que te amo e por muitas discussões que tenhamos é contigo que quero estar no final do dia, é a ti que quero abraçar. Mudamos as duas, nem tudo para melhor, a vida aconteceu e nós somos duas raparigas que apenas tentam ficar juntas e não deixar o amor que sentem morrer. Quero ter uma casa, filhos, uma vida contigo, só contigo ao meu lado amor. Sei que tudo está contra nós, mas somos fortes e forte é o amor que sentimos uma pela outra.
Às vezes sinto-me tão frustrada, porque é tão simples para outros e para nós não? Porque temos nós de lutar constantemente? Porque existem aqueles momentos que nos tornam pessoas que não reconhecemos?


Amo-te, e contigo quero continuar. Para sempre é demais, mas digo antes... Amo-te e quero continuar contigo até que o mundo não nos queira deixar juntas, até que uma de nós, já velhinha e com a sua bengala se chateie por uma manteiga becel.

SílviaG.

01 setembro, 2012

A nossa história II


Quem quiser ler a primeira parte, Parte 1

"E uma noite como qualquer outra, fomos todos sair para tomar um café como fazíamos tantas vezes, a diferença é que nos voltamos a encontrar."

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Nessa noite, as queridas minis geladas não pararam de chegar à mesa onde nos encontrávamos, a verdade é que nem gosto de cerveja, mas naquela noite bebi umas quantas, se fiquei animada? Não, para lá de animada mesmo. E tu a mesma coisa, paguei-te uma ou duas cervejas e tu disseste que depois devolvias o dinheiro. Tão preocupada. 
Falamos muito, mas as conversas não me consigo lembrar, só o importante é que ficou retido na minha memória. A banda que estava a tocar naquela noite ia embalando e fazendo passar o tempo, na conversa, risota e boa disposição. 
Como se de nada se trata-se o nosso amigo, o responsável por nos apresentar, quis sair da esplanada e ir para dentro do pequeno café, ver a banda mais de perto, se bem que não eram as músicas que lhe interessavam, mas isso e outra história completamente diferente.

Começou então a música que nos iria embalar e fazer com que tudo se desenrola-se, mais uma vez podia dizer que a música era muito romântica que já estávamos completamente apaixonadas, mas nada disso é a verdade, e iria tirar aquilo que a nossa história é, nossa e única. Enquanto a música tocava, abraçaste-me por trás e começamos a dançar, comigo sempre de costas para ti, e aí percebi uma química entre nós, uma vontade a tornar-se maior.
Vou confessar aqui, que se não fosses tu, nada disto teria acontecido, porque sou demasiado tímida para dar primeiros passos. Como quem não quer nada, foste dando lugar para o que aconteceria a seguir, e aí aconteceu o nosso primeiro beijo, aquele que levou a tudo, sem nunca me virar para ti, o beijo deu-se diferente. 




Voltaste-me para ti e continuamos a beijar-nos, mas com a música, e com a chamada do nosso amigo J. paramos, ele queria ir embora. 

29 agosto, 2012

A nossa história I

Já passaram dois anos desde que nos conhecemos meu amor.


"Sabe o por que o amor é cego?

Porque a gente não ama cabelo, não ama a roupa, não ama o corpo, não ama a cor dos olhos, e enfim, não amamos o físico. A gente ama o sentimento, a atenção, o carinho e isso não se vê, se sente."



A nossa história não é de novela, não é romântica, não é a mais apaixonante de todas, mas é a nossa história, aquela que teimas em dizer : "O que corri atrás de ti."
E tens toda a razão, mas ainda bem que o fizeste.

O primeiro dia em que te vi, aquele que não te lembras, mas eu sim. Aconteceu na minha segunda tentativa de fazer o piercing na língua, estava com o J., amigo em comum e ele quis ir tomar café a um sítio diferente, fomos lá, eu com a minha língua inchada, sem piercing e ele disse que uma colega de trabalho ia passar por ali. Lembro-me de te ver a entrar no café, mas os pormenores estão difusos, já que não me lembro de tudo. Sei que só te dirigi uma ou duas palavras e foram mais ou menos.
J. - Ela parece uma rapariga não parece? - olhei para ti e respondi um "Sim, nota-se bem." sem grandes palavreados. Pouco mais falamos até porque ias trabalhar.
Agora é a parte em que digo, que me apaixonei naquele momento, que quis logo voltar a ver-te. Mas bem, isso não aconteceu, nem tu te lembras daquele episódio, nem eu sequer pensei mais na tal rapariga que tinha visto.
Quem diria que ias ser a minha vida?
Algum tempo se passou sem dúvida, eu acabada de sair de uma relação, tu a gostares da tua ex-namorada, as duas sem qualquer motivo para voltar a gostar de alguém, ainda apanhadas pelas anteriores pessoas da sua vida.

As coisas começaram a mudar muito depois, sem que ninguém previsse, tu dizes que ainda comentas-te que eras capaz de ter alguma coisa comigo, eu nem me lembro de falar mais contigo. Mas isso agora não é chamado.

E uma noite como qualquer outra, fomos todos sair para tomar um café como fazíamos tantas vezes, a diferença é que nos voltamos a encontrar.

Continua...
SílviaG.


28 agosto, 2012

Meus grandes (pequenos) animais.


Como eu adoro ter este menino enroscado em mim enquanto estudo, o meu pequeno Winnie.

Branco - Malibu ; Riscado - Winnie

Já o irmão mia lá fora com falta de atenção, mas quando vou ter com ele, esconde-se. Os outros andam a passear lá fora, a explorar o enorme mundo que se avista. Ás vezes gostava de ser um deles, explorar, conhecer, sem preocupações.


Até já,
SílviaG.

24 agosto, 2012

Lost




Como é possível a vida mudar tanto em tão pouco tempo? Dividida entre duas paixões e a tentar não me arrepender. Por um lado tentar melhorar a minha vida com quem eu amo, com a minha namorada G., mas por outro acabar o meu curso, tentar um trabalho na minha área.
Por a amar, por não me ver sem ela, decidi fazer uma pausa nos estudos, um ano, mas custa, só que é pior imaginar a vida longe dela, com ela a km de mim sem puder vê-la, tocá-la...
Sinto-me tão perdida sem ti amor, por isso acordei a chorar, porque está a ser demais para mim. Porque quero ter controlo da minha vida, quero finalmente conseguir controlar a minha própria vida, ter controlo das coisas por uma vez na vida.
Quero poder ir contigo e continuar os estudos, como é que faço isso?


Até já.
SílviaG.

22 agosto, 2012

A hora certa






Que seja a hora certa rápido. Estou cansada desta indecisão, de não saber o que fazer com a minha vida, para onde é o caminho certo.

Uma nova forma de comunicar


Por um lado tenho este blog para falar de "problemas" e situações comuns a muitos homossexuais que por aí andam e visitam este blog, por outro lado quero torná-lo mais meu, mais a minha cara, desabafar um pouco, contar a minha história de vida, um lugar onde posso falar de temas mais gerais e também de temas mais privados. Uma pequena frase pode até dizer muito e quem sabe se aquilo que sinto e penso não poderá ser o que alguém aí desse lado também sente e pensa.



"Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe."
Oscar Wilde

Como folhear um livro, em todas as páginas e capítulos da minha vida encontro um novo tema, uma nova forma de comunicar algo que se passou e marcou a minha alma. E quero que assim seja uma forma de o fazer, partilhar, afinal esse é o objectivo principal aqui do meu pequeno canto.

Um texto.
Uma frase.
Um poema.
Uma imagem.
Uma só palavra.

Todas elas formas de comunicar aquilo que o ser humano sente e pensa. Porque não fazê-lo aqui? Porque não com uma pequena frase dizer que amo mais que tudo a minha namorada? Que é com ela que quero passar o resto da minha vida? Que ela me irrita, mas que a amo tanto que nem sei como o expressar?

Hoje estou assim...apaixonada :)


Até já.
SílviaG.


16 agosto, 2012

Ignorância

" Eu respeito, mas não compreendo. Duas raparigas ainda vai, agora dois rapazes? Isso é que não me entra na cabeça."

"A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito."
Denis Diderot


Estão a ver estas frases? Estou cansada de as ouvir vezes e vezes sem conta. Ok, respeitar é muito bonito, mas porque é tão dificil de compreender que gosto de pessoas do mesmo sexo? E depois ainda diz que duas raparigas ainda vai, mas dois rapazes já lhe é demasiado complicado?
Eu pergunto sempre, então tu gostas de mulheres certo? Gostas de apreciar rabos femininos, seios e tudo numa mulher. Pronto eu também, simples assim. Quanto aos rapazes a coisa é a mesma, nós gostamos de pessoas, calha serem do mesmo sexo que nós, nada de confuso ou complicado.
Depois vem sempre a mesma resposta, "Isso é porque nunca estiveste com um rapaz a sério.". O caldo entorna nesse momento, mas como sempre mantenho a postura e só lhe digo, "Namorei três anos com um rapaz, com o qual fui muito feliz. Tive outros namorados, mas acontece que me apaixonei perdidamente por uma rapariga, a qual é a minha alma gémea e com a qual não sei viver. E gostei muito de estar com rapazes, mas com raparigas sinto-me completa, e com a G. sinto-me feliz!"
E a conversa pára. Mas como estas existem algumas outras respostas que eu fico como que paralisada com tamanha parvoíce.

E a vocês? Alguma assim mais comum?

Até já.
SílviaG.

10 agosto, 2012

Descobrir-se

Hoje estava a rever uns textos que escrevi já há tempos e dei com um de quando estava confusa com a minha sexualidade.

De certo muitos homossexuais tiveram pensamentos como, "Não posso ser, eu não posso ser homossexual/bissexual!"


"É necessário abrir os olhos e perceber as coisas boas dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão."
Clarice Lispector

Muitos hoje homossexuais assumidos passaram pela fase da negação, eu sei que passei. Aquela fase de, "Não pode ser.". Muita desta negação deve-se também ao facto de termos de nos assumir à família, e isso é terrível, vão aceitar, não vão aceitar...
Antes de tudo temos de nos aceitar a nós próprios, ficar bem com a nossa sexualidade, descobri-la, pode apenas demorar dias, meses ou anos, até nos conseguirmos aceitar a nós próprios, a sermos felizes sabendo que gostamos de pessoas do mesmo sexo e não do sexo oposto como a sociedade nos impõe. Quantas pessoas podem estar agora a passar por isso? Negação e sofrimento porque não conseguem descobrir-se, não conseguem por fim colocar um ponto final e organizar a sua cabeça e o seu coração.
Em primeiro essas pessoas têm de saber que podem falar, que podem e devem tirar as suas dúvidas, falar dos seus receios e esclarecer tudo o que poderem, porque existem neste mundo pessoas que podem ajudar, ou pelo menos esclarecer algumas dúvidas sobre este ponto.

Não temos de ter medo de sermos quem somos, de nos entendermos, de nos assumirmos e aceitarmos, porque temos de estar bem connosco para conseguir enfrentar e dizer ao mundo quem somos, de nos afirmar-mos.


Até já.
SílviaG.










05 agosto, 2012

Filhos

E crianças? Aqueles pequenos seres que nos adoram só porque somos família. Inocentes e queridos. Mas terríveis e adoráveis?

"As crianças são quase sempre felizes, porque não pensam na felicidade. Os velhos são muitas vezes infelizes, porque pensam demasiadamente nela."
Paolo Mantegazza

Aqueles pequenos seres são tão cativantes, chamam-nos a atenção, olham para nós com aqueles olhos e nós derretemo-nos perante eles.
Hoje trago um tema sobre filhos. Namoro vai fazer dois anos, e praticamente desde aí que vivo com a minha namorada. Quero-me casar com ela e quero ter filhos, porque desde que me lembro que adoro os pequenos seres que tanto nos irritam, sim é a verdade. Mas basta ver aqueles olhinhos e toda eu quero um filho, uma criança que me chame mãe. Mas vivendo com a minha namorada, mesmo que já estejamos casadas na altura em que vierem os filhos, como fazemos?

Em Portugal a adopção só por pessoas singulares e com algumas restrições, para inseminação artificial no nosso país é impossível. Que opções nos restam em Portugal portanto? Só a de recorrer a amigos para fazer uma inseminação artificial caseira, mas daqui surgem muitas perguntas. E fora de Portugal? Aí a conversa muda, porque na nossa vizinha Espanha as mulheres solteiras ou homossexuais já podem recorrer à inseminação artificial.

Muitas questões se levantam das duas opções que as mulheres em Portugal têm para poderem criar uma família, estou apenas a falar das mulheres, mas podia estar aqui a escrever sobre todos os homossexuais. É triste ver direitos básicos como constituir família assim mais "escondidos" para os homossexuais em Portugal.

Em breve volto a este assunto.

Até já.
SílviaG.


02 agosto, 2012

Dificuldade das relações


Quem disse que as relações homossexuais eram mais fáceis? Muitos amigos meus têm essa opinião, porque dizem que como são duas pessoas do mesmo sexo se torna mais fácil a convivência, mas a minha opinião é diferente.


"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa


Então uma relação é uma relação, seja ela homossexual ou não, porque são duas pessoas quese amam e ás vezes se odeiam. E já encontrei uma t-shirt que expressava isso muito bem, a t-shirt apenas dizia: “Some days I love you others i want to sell you online” (Uns dias amo-te, mas outros quero vender-te online).
Uma relação é isso mesmo, e não me venham com histórias que não, que ninguém discute, que não há discussões numa relação saudável, porque as discussões fazem parte e assim tem de ser, ninguém é igual a outra pessoa e as opiniões divergem, os gostos idem. Eu tenho a minha própria história, discutimos, choramos e no final do dia estamos as duas juntas e cada vez nos amamos mais, porque na minha mais modesta opinião, uma relação é isso mesmo, partilhar tudo, bons momentos e maus momentos.

Mas no final as opniões vão alguma vez mudar? Espero que sim e que deixem de dizer que as relações homossexuais são mais simples que as outras, porque qualquer pessoa que esteja numa relação séria, sabe que as relações são complexamente simples, simples porque o amor no meu ponto de vista é simples (nós é que complicamos), complexas, porque são duas pessoas diferentes que se amam e vivem em conjunto.

A vida é um carrosel e as relações a mesma coisa, tanto estamos em cima, no topo, como ficaos em baixo, zangados. Mas no final da viagem a experiência foi inesquecível.

Até já.
SílviaG.

27 julho, 2012

Casamento

Quem nunca teve aquele sonho de casar? Vestido branco (no caso de homens isso muda), uma sala cheia com amigos e familiares e tudo a que temos direito?

"Vocês riem de mim por eu ser diferente, e eu rio de vocês por serem todos iguais"
Bob Marley"

Desde pequenos que a nossa cabeça é moldada para o casamento como final de uma etapa de relacionamentos, porque os nossos pais estavam moldados para isso, tal como os nosso avós, bisavós e por aí. Actualmente são mais os casais que apenas vivem juntos do que se casam, e para mim até faz todo o sentido, mas será que se um casal homossexual viver junto e alguma coisa acontecer estão os mesmos direitos envolvidos como para um casal heterossexual? Esta pergunta veio-me ao pensamento e ninguém me soube responder. 
Eu penso constantemente nisso, para mim, que nunca tive aquele sonho de casamento, faz-me um pouco de confusão saber que se por exemplo eu tiver filhos e viver com a minha namorada, mas me acontecer alguma coisa simplesmente ela não tem qualquer papel na decisão sobre os filhos, se forem biologicamente ligados a mim. 

Claro que depois de 2 anos de namoro, de vida em conjunto, o casamento é um assunto que se conversa. A minha companheira quer-se casar, e eu também claro, eu amo-a, por isso casar-me com ela é um passo que quero dar, apesar de não ser um papel assinado que vai determinar que eu a amo mais. Só que o facto de ambas querermos ser mães leva-nos a querer casar, para que se seguirmos com o plano de sermos mães conseguirmos depois ter os mesmos direitos que se fossemos um casal dito normal e heterossexual. 

O que acham do tema do casamento?

Até já.
SílviaG.

25 julho, 2012

Sensação de desconforto

Hoje trago aqui uma pequena e curta pergunta que me assustou hoje. 

Nunca se sentiram desconfortaveis com os olhares na rua?

"Sou vulnerável às menores bobagens, às mínimas palavras ditas, a olhares até, e sobretudo, a imaginações"
Clarice Lispector

Esta pergunta foi-me colocada e nem soube como responder. Alguém me quer ajudar? 
Eu e a minha namorada estamos mesmo à vontade quer no trabalho quer com os amigos e familiares (dela), mas e nas ruas? Nos passeios que damos? Nos locais que frequentamos? 
Até agora a minha posição tem sido sempre a mesma, não quero saber se olham, se os casais heteros podem andar de mãos dadas e dar beijos em público porque não podemos nós? Eu pelo menos faço-o, mas sim já senti aqueles olhares das pessoas que estão à nossa volta, olhares de espanto, curiosidade, e também de desconforto e nojo até. 

Mas pergunto eu também, qual a diferença entre estar um casal hetero na rua aos beijos e a passear e um casal homossexual? Para mim a resposta é rápida, nenhuma! Porque todos temos o direito de estar a vontade onde quer que vamos, desde que não faltemos ao respeito a ninguém. 

Esta é a minha opinião. E a vossa?

Até já,
SílviaG.

22 julho, 2012

Uma história importante

Hoje abordo um tema diferente, fora da temática da homossexualidade, mas um tema importante e com o qual convivo diariamente.


A Bulimia e A Anorexia

"Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo."Carlos Drummond de Andrade

Na minha família sou a mais velha entre os três filhos, tenho um irmão e uma irmã. Bem, na nossa infância muita coisa aconteceu, perdemos o nosso pai muito novos, eu tinha 16 e a minha irmã apenas 13 anos, foi muito para nós, fomos todos abaixo, mas conseguimos superar as coisas.
Em 2010, a minha irmã admitiu um problema que se arrastava há já dois anos, ela não comia, a anorexia e a bulimia tal como todas as suas consequências entraram nas nossas vidas, e ela chegou a um estado em que me custava vê-la assim. Mas com ela a admitir finalmente o seu problema, a sua doença conseguimos encaminha-la para uma clínica de tratamento, pois mais nada conseguíamos fazer por ela. Deu entrada pouco antes da passagem de ano e a nova vida tanto dela como nossa começou. As melhorias começaram a notar-se e o programa que ela seguia teve os seus efeitos, mas as saudades custavam, não a víamos, falavamos pouco com ela, mas o objectivo era claro para todos, a cura.

Quando, passado uns bons meses, ela saiu de tratamento as melhorias foram constantes, a alegria tinha voltado à minha irmã, a felicidade que ela emanava era grande. A vida correu bem, mas tal como um toxicodependente, a bulimia e anorexia são doenças para toda a vida, e desde novembro do ano passado que todos sabíamos que ela não andava bem, as mudanças de humor eram notórias, a falta de apetite, entre tantos sintomas que reconhecemos de imediato. 

Os meses foram passando e tudo se agravou, até a um ponto em que nos afectava a todos, ela terminou um namoro de mais de um ano, as confusões eram constantes, não avisava quando saía de casa, nem quando não dormia em casa.

Mas finalmente admitiu perante ela e todos o problema que lhe voltou a assombrar os dias, e quis logo de partida ser internada, e todos concordamos, porque ela é família, porque todos a amamos mais que tudo na vida, e só queremos a alegria nela de volta e que ela se encaminhe. Só que isso leva a estar outra vez sem a ver, sem lhe poder falar correntemente e nestas alturas penso o puder dos correios e das cartas escritas, porque só isso me permite comunicar frequentemente com ela, visto que para chamadas estou longe de casa e não estou presente no dia das chamadas.

A bulimia e a anorexia afectam muitos, centenas talvez, de jovens em Portugal, o querer ser mais magro, mais bonito, leva a uma cadeia enorme de horrores, afecta a vida de muitos jovens e não só, mas também das suas famílias. Se virem alguém que sofra assim, falem, conversem, não deixem essa pessoa chegar ao ponto crucial. Muitos morrem por falta de alimentação, porque não absorvem nutrientes, tudo por uma obsessão ridícula.


Até já.
SílviaG.

18 julho, 2012

A tipica pergunta

Então e namorado/a?

A tipica pergunta de familiares, vizinhos, amigos dos pais que vem sempre à baila. E quando não somos assumidos o que responder? Bem ainda hoje uma vizinha da minha avó que cuidou de mim em criança mer perguntou pela namorado se estava em Aveiro. E a minha resposta foi do mais sincera, "Rapazes? Só dão trabalho, não quero nenhum."
A pobre senhora nem percebeu, mas pronto esta é a resposta que sempre dei e hei-de dar, talvez se toquem de uma vez por todas.

Custa tentar que percebam que é uma pergunta que incomoda, não só porque não somos assumidos perante a ´família, mas também porque estão sempre a fazer a mesma pergunta. E se queremos ser solteiros? E se estavamos concentrados na nossa vida e não queremos uma relação? Parece que para as pessoas que fazem essa pergunta só uma relação é importante.

Vamos lá continuar com as respostas de sempre e tentar que as pessoas percebam que não é por perguntarem mais que têm uma resposta.


Até já.

15 julho, 2012

Como abordar a família?

Mãe eu gosto de raparigas!


"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela."
Charles Chaplin




Custa estar ao lado da nosso mãe, de quem me trouxe a este mundo e me criou e não lhe conseguir dizer: "Mãe, gosto de raparigas."
É complicado, mas como as coisas aqui estão não sinto que é o momento certo para contar. Quero poder gritar ao mundo quem sou na realidade. 


"Um dos meus grandes problemas neste momento, já com os meus 22 anos (como passa tudo rápido) é assumir-me perante a minha mãe.
Namorei com alguns rapazes, mas nunca me pareceu certo, correcto até, então notei a minha afinidade por raparigas, sinto-me melhor, mais feliz e completa. E há dois anos atrás conheci a minha namorada, no inicio não sabíamos que iria dar em namoro, o que poderia levar a pensar isso? Eu gostava de outra pessoa e ela também, mas ela lutou, e muito para me conquistar e conseguiu. Estamos a caminho dos dois anos de namoro e felizes, temos o nosso cantinho, sofremos várias peripécias, mas estamos juntas e isso que importa.
Mas com a vida encaminhada, a viver já com ela há 1ano, tenho de contar à minha mãe, mas não é fácil. A minha mãe foi criada de uma certa maneira, numa pequena aldeia, onde tudo que é fora do normal é errado. O meu maior medo é perder a minha mãe. Todas as pessoas me dizem, mãe é mãe, não deixa de te amar, mas mesmo assim, e quando eu não puder ir visitá-la nas minhas folgas? Nas minhas férias?
Tenho um grande medo de a perder e isso afecta-me mesmo muito. E quem vai estar lá para ela? Eu sei que enquanto os meus irmãos vão tendo os seus devaneios estou lá, apoio-a, estou com ela cada vez que o trabalho me permite, mas e se eu lhe falhar? Eles vão lá estar?


SílviaG."


Esta é a minha pequena e resumida história... o que faço? A dor de não lhe conseguir contar consome-me.




Até já.
Sílvia

14 julho, 2012

A História da Mariana

Vou agora apresentar a história da Mariana, a confusão porque ela passou e talvez passe. Afinal todo este mundo é uma descoberta constante. 
Com este testemunho espero que se atrevam a dar o seu, pode ser anónimo se quiserem, basta enviar um email para mim. Qualquer dúvida que tenham também podem contatar-me, quem sabe não sou capaz de ajudar ou até confundir mais :) Tal como os comentários aqui, podem ser confidenciais, não há qualquer problema nisso.


Até já.


"Meus sentimentos são tão confusos que nem ouso mais dizer o que sinto,com medo de errar,novamente!"
Beatriz Shibuya


Testemunho da Mariana;


Ola....sou a Mariana, tenho 23 anos, de Lx.
Vim contar'te a minha historia. 
Era muito pequenina e prematura. Muito protegida pelos meus pais. quando comecei a andar na pre-primaria eu dizia que tinha um namorado que tinha olhos vermelhos e louro. Era o Antonio. LOL....sabia la eu...era criança....
Depois a medida que fui crescendo fui gozada por toda a gente pq eu n fazia o que outros faziam. ate cheguei a humilhar'me a mostrando as partes baixas e eles a porem' me areia...quando cheguei a casa queria contar o sucedido mas morria de vergonha....uma palmada da minha mae...

Mais tarde, aos 13 anos vi duas gajas aos beijos. e achei aquilo estranho pq n foi o que me ensinaram. aquilo incomodou'me e fui embora...mais tarde conheço uma moça que atualmente somos amigas ha 11 anos. cheguei a ter uma mini paixoneta por um rapaz da minha turma mas ele disse que nao gostava de mim naquela altura. Fiquei triste e contei aos meus pais. LOL...eles consolaram'me..e ficou tudo bem

Aos 14 anos a minha miga e eu estavamos a ouvir musica e ela estava a escutar um cantor com o qual ela ficou obcecada durante anos e ainda hoje. LOL....por mim foi por uma cantora que eu ate fantasiava a toda a hora e ficava completamente obcecada....ate a minha amiga ja me chamou LESBICA e eu fula quase que lhe bati. (1a vez que ouvi a palavra) ...depois meti'me sem querer com uma prof, estalando'lhe os dedos. mas eu n tinha apercebido que era ma educacao e ralhou comigo. 

Aos 15/16 anos, eu vou p outra escola e vejo outra cena de miudas....depois eu conheci uma rapariga que me disse que n era tao certinha assim...uma vez n sei que me aconteceu....ia beijando outra rapariga no metro. 

Aos 18 anos, uma mini atracao por rapaz, mas que n quis nada...aos 19 anos fantasias com gajas e cenas parvas que me suscitaram duvidas. pensei que fosse fase de curiosidade. Com 20 anos, vou a um cafe e começo a sentir cenas por uma mulher....calor, labios a tremer, olhos fixos e vidrados nela, arrepios, vontade de lhe sorrir.
Depois destas cenas....eu fiquei maravilhada e um sorriso enorme nasceu em mim. Então aos 21 tive uma experiencia e logo como se n bastasse tive uma paixao platonica que foi uma coisa maluca......eu fikei ano e meio completamente doidinha mas depois foi so sofrimento. 
Por vezes acho que isto tudo e uma fantasia e quando menos esperar....n e nada....sabes o que e essa sensaçao?



Como saber de quem gosto

O título não é propriamente chamativo, mas pronto a imaginação hoje está em baixo.

Imagem retirada da internet
"Beijos não são contratos e presentes não são promessas."
William Shakespeare

Como saber quem és...se gostas de raparigas, rapazes, ou os dois. Por quem te sentes atraído. Nesta postagem vou falar de como soube que gosto de raparigas, como foi para mim descobrir a minha orientação sexual por assim dizer.

Quando tinha uns 7anos talvez, não sei precisar, porque nesse tempo a memória não é a mesma, lembro-me de brincar com uma prima afastada e de dormir a sesta com ela e sempre ficavamos nuas nestas ocasiões. Até aqui nada estranho, afinal eramos apenas crianças, mas desde esses momentos que a minha pequena e aguçada curiosidade de criança se debatia pelo corpo feminino, as suas formas tão pouco pronunciadas naquela idade. O tempo foi passando e vivendo numa pequena aldeia é complicado não seguir o resto das pessoas, por isso essa minha curiosidade foi abafada, reprimida por assim dizer.

Mais tarde, já com os meus 10 anos chegou a altura de ir para a cidade estudar e aí as coisas desenvolveram um pouco, estava num ambiente diferente, mais aberto, com pessoas com uma mentalidade mais aberta e até me lembro de um beijo dado de fugida, num daqueles "verdade ou consequência" jogados nas tardes passadas com os colegas, dado a uma amiga e colega de turma. Mas como talvez muitas pessoas sabem a sociedade não é muito aberta e a minha vontade de falar daquele determinado assunto crescia, mas ficava para mim. Aos 15 anos até cheguei a estar com uma menina especial, mas durou pouco, medo estava presente entre nós, medo do desconhecido principalmente.

O tempo passou e dos 15 anos chegaram os 20, e nessa altura a 200km de distância de casa e com uma mentalidade mais aberta conheci várias pessoas que me fizeram ter a certeza que rapazes não são para mim. Rapazes comigo é uma história passada, admito que ainda estive com alguns mas isso é outro assunto.

Então pronto, é esta a minha pequena e resumida história na descoberta de quem realmente sou. Conta-me a tua. Basta enviar um email a contar a tua história.


Até já.
Sílvia Graça

O projeto

Imagem da minha autoria
"Ser feliz é vocação natural do ser humano." (Paulo Leminski) 

Depois de muito pensar decidi avançar com este projeto.
Um blog para partilhar as minhas experiências de vida, apesar de como dizem ainda ser mais curta que comprida.


Durante estes meus 22 anos de vida já passei por várias experiências, a todos os níveis e é com elas que aprendi a ser como sou hoje a encarar a vida.

Este blog destina-se a todas as pessoas que por aqui passarem, mas sem dúvida para ajudar jovens e não jovens que tal como eu se encontrem numa situação que não é anormal, mas apenas difícil. Ser "diferente" num mundo que ainda nos olha de lado.
Como passar esta fase de nos assumir-mos homossexuais perante todo o mundo. Aqui irei contar como soube, como me assumi, os meus medos, as minhas certezas, as minhas esperanças. Conto também poder utilizar testemunhos de pessoas que queiram contar as suas experiências e aceito todas as opiniões, desde que não ofendam ninguém.


Um até já.
Sílvia